In January I was studying with my son the life and poetry of that extraordinary multiple personality, Fernando Pessoa. For my son it was in preparation for a Portuguese exam, but for me this was a timely excuse to penetrate further the multi-faceted world of a man who wrote under many different names (the chief ‘heteronyms’ being Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro Campos) and believed in his ‘fictional’ identities more than in his ‘real’ self.
I was at the same time unknowingly preparing myself to discover the work of a new poet – Zayra Yves, whose creative ‘melting-pot’ confronts our sense of identity in a profound, but utterly different, way.
Most of us have an urge to try and fix the boundaries of the identity we call ‘I’, and so the notion of having several identities is at the least strange, if not downright disturbing. In my case I had struggled long ago with what were, for me, the conflicting creative impulses of composer and improviser, to the extent of leaving my home country to discover where my loyalties truly lay.
Pessoa boldly turns these conflicting impulses into a major creative resource, by which poetry, theatre and fiction are made to meet on the stage of his life. His equivalent of the composer might be Ricardo Reis or Fernando Pessoa himself, while the improviser in him is clearly Campos – being the identity he says he assumes when he feels the impulse to write before knowing what he wishes to say. (André Gago used the poems of Campos to telling effect last week in his new show Hamlet, Heterónimos e Pessoas, with music by Carlos Barreto).
Quite by coincidence I received an invitation, also in January, to accompany the Lisboa Cantat Choir (directed by Jorge Alves, assisted by Clara Coelho) with soloists Raquel Alão and Manuel Rebelo, in 2 performances of Ralph Vaughan Williams’ Sea Symphony, a glorious setting of poetry by Walt Whitman for soloists and choir. Now Walt Whitman’s work is a prime inspiration for the Odes of Campos (one of which is dedicated to him), and the music of the Sea Symphony combines with his poetry in a tremendous outpouring of spiritual and physical joy. For me it was an unforgettable occasion, - truly wonderful to see that a choir of this kind in Lisbon could respond to the challenge of this English choral masterpiece – and also because I remember being at a godfather’s wedding in Chelsea in 1955 at which Vaughan Williams was also present (I later received support for my composing from the RVW Trust which was set up by him).
Now the composer in me is tempted by the idea of bringing Campos’ poetry to life in music – for choir and for solo voice; but in the case of Zayra Yves it was the improviser in me who felt the urge to contact her with a proposal for collaboration, believing as I do in the power of different arts in combination to express the melting-pot of our creativity. The first result of this is the video I created yesterday using her own recording of her poem ‘Pilgrim Hitchhiking on the Road of Life’, accompanied by an improvisation of mine entitled ‘Hidden Flame’, and illustrated with paintings and photographs of my friend the artist Anthony Christian. (For full screen click here)
Este vídeo é um encontro muito interessante de três manifestações tão diferentes e tão próximas - a música, a palavra, e a imagem. Todas elas existem separadamente com vitalidade e não podemos deixar de pensar na forma como se interligam para criar algo maior. Esse acto de criação foge inevitavemente das mãos de quem as juntou, pois todos os momentos são em última análise inesperados - aquela palavra sobre aquele acorde ou a transição de uma imagem para outra sobre uma determinada inflexão na voz, um crescendo do piano no surgimento de certa fotografia… nem o criador mais metódico conseguiria controlar todas as variáveis, é uma maravilhosa aleatriadade.
Fiquei muito surpreendido pelo 4º grau menor no final da peça e gostei muito dessa surpresa.
A criatividade e a imaginação do artista desta obra esgotam-se nas diversas manifestações da arte: a música, a imagem e a poesia. Trata-se de uma forma de expressão audiovisual cuja inspiração é a própria arte. Nesta obra de arte, a essência ou fundamento é a harmonia e o equilíbrio das artes, traduzidos pela organização dos vários elementos que compõe a obra, onde nada é particularmente enfatizado. Assim, no momento da contemplação deste produto artístico, o espectador apodera-se de uma sensação de equilíbrio dos sentidos: os meus olhos contemplam aquilo que os meus ouvidos lhe comunicam, nada ficando ao acaso…
Depois de ter visto este vídeo, pensei numa questão pertinente. Será que, através das imagens eu conseguiria imaginar uma música de fundo que as acompanhassem ou ao ouvir o poema recitado, conseguiria, com o recurso à imaginação, visualizar imagens na minha mente em função do mesmo? A harmonia entre as artes é tão natural que, por eu não as ter visto em separado (a obra musical, o poema e as imagens), neste momento, elas fundem-se numa única obra de arte. Por analogia e tendo em atenção o conteúdo literário do poema, penso que cada ser humano é uma única obra de arte viva, que cria o seu próprio “eu” e que apenas o pode fazer através da aceitação das suas diferentes personalidades e vontades que surgem por intuição, pois só com a liberdade de expressão de todas as suas vertentes é que ele poderá afirmar que conhece todo o seu ser e que vive plenamente.
A união entre as diferentes artes é algo fascinante e este vídeo comprava-o. Antes de o visualizar, a primeira coisa que fiz foi tirar o som para que me pudesse concentrar apenas nas imagens e tentar perceber a “mensagem” que essas me transmitiam. Ao ouvir o conjunto foi incrível como as diferentes artes ligavam-se na perfeição, como se fossem uma só.
Fico impressionada por haver quem, mais uma vez, me prove que as artes foram e serão sempre indissociáveis… e que por mais distinta que seja a sua essência, complementar-se-ão por natureza…
É uma perfeita ligação. A palavra, a imagem e música. Todas estas artes conseguem viver e sobreviver isoladamente, mas quando se unem desta forma em que todos os elementos se cruzam, o efeito é único. É uma complementaridade que após a visualização não deixa espaço que permita a dissociação.
Ao ver este vídeo perguntei-me como tería sido realizado.
O poema inspirou a música? A música indentificou-se com o poema? A imagem foi integrada em que momento? Antes ou depois da música?…
Parece-me que tudo se relaciona tão bem que não fui capaz de descortinar como foi feito e tive que recorrer ao seu criador para descobrir!..
Agora, depois de saber a resposta, percebo que não importa qual processo, porque o resultado final é uma obra de arte total, por conjugar num momento três formas de expressão humana que aqui têm um valor idêntico e que sem dúvida se completam!..
Hoje, com tempo e com a sensação de estar presente, dei atenção a este vídeo… às vezes há momentos melhores para as coisas, mas estes vídeo sensibiliza-nos em qualquer momento…
Nele, há espaço para tudo… há espaço para as imagens brilharem, há espaço para a música sorrir, e espaço para as palavras sentirem.
E a música se faz, não apenas com o piano, mas com uma voz que parece caminhar pelas imagens. E tudo se une, e tudo se distingue. E cada momento é um momento diferente, gerando um todo contínuo e belo.
Deixarmo-nos seguir pelo sentimento é a chave para muitos momentos.
April 7th, 2008 at 21:39
Hello Dear Nicholas,
This is a wonderfully written presentation and I thank you from my heart.
Love,
Zayra
April 9th, 2008 at 20:16
Este vídeo é um encontro muito interessante de três manifestações tão diferentes e tão próximas - a música, a palavra, e a imagem. Todas elas existem separadamente com vitalidade e não podemos deixar de pensar na forma como se interligam para criar algo maior. Esse acto de criação foge inevitavemente das mãos de quem as juntou, pois todos os momentos são em última análise inesperados - aquela palavra sobre aquele acorde ou a transição de uma imagem para outra sobre uma determinada inflexão na voz, um crescendo do piano no surgimento de certa fotografia… nem o criador mais metódico conseguiria controlar todas as variáveis, é uma maravilhosa aleatriadade.
Fiquei muito surpreendido pelo 4º grau menor no final da peça e gostei muito dessa surpresa.
April 14th, 2008 at 23:27
A criatividade e a imaginação do artista desta obra esgotam-se nas diversas manifestações da arte: a música, a imagem e a poesia. Trata-se de uma forma de expressão audiovisual cuja inspiração é a própria arte. Nesta obra de arte, a essência ou fundamento é a harmonia e o equilíbrio das artes, traduzidos pela organização dos vários elementos que compõe a obra, onde nada é particularmente enfatizado. Assim, no momento da contemplação deste produto artístico, o espectador apodera-se de uma sensação de equilíbrio dos sentidos: os meus olhos contemplam aquilo que os meus ouvidos lhe comunicam, nada ficando ao acaso…
Liliana Oliveira
April 15th, 2008 at 20:35
Depois de ter visto este vídeo, pensei numa questão pertinente. Será que, através das imagens eu conseguiria imaginar uma música de fundo que as acompanhassem ou ao ouvir o poema recitado, conseguiria, com o recurso à imaginação, visualizar imagens na minha mente em função do mesmo? A harmonia entre as artes é tão natural que, por eu não as ter visto em separado (a obra musical, o poema e as imagens), neste momento, elas fundem-se numa única obra de arte. Por analogia e tendo em atenção o conteúdo literário do poema, penso que cada ser humano é uma única obra de arte viva, que cria o seu próprio “eu” e que apenas o pode fazer através da aceitação das suas diferentes personalidades e vontades que surgem por intuição, pois só com a liberdade de expressão de todas as suas vertentes é que ele poderá afirmar que conhece todo o seu ser e que vive plenamente.
April 15th, 2008 at 21:25
A união entre as diferentes artes é algo fascinante e este vídeo comprava-o. Antes de o visualizar, a primeira coisa que fiz foi tirar o som para que me pudesse concentrar apenas nas imagens e tentar perceber a “mensagem” que essas me transmitiam. Ao ouvir o conjunto foi incrível como as diferentes artes ligavam-se na perfeição, como se fossem uma só.
April 15th, 2008 at 22:37
Fico impressionada por haver quem, mais uma vez, me prove que as artes foram e serão sempre indissociáveis… e que por mais distinta que seja a sua essência, complementar-se-ão por natureza…
Mariana Leite
April 16th, 2008 at 12:12
É uma perfeita ligação. A palavra, a imagem e música. Todas estas artes conseguem viver e sobreviver isoladamente, mas quando se unem desta forma em que todos os elementos se cruzam, o efeito é único. É uma complementaridade que após a visualização não deixa espaço que permita a dissociação.
April 22nd, 2008 at 20:24
Ao ver este vídeo perguntei-me como tería sido realizado.
O poema inspirou a música? A música indentificou-se com o poema? A imagem foi integrada em que momento? Antes ou depois da música?…
Parece-me que tudo se relaciona tão bem que não fui capaz de descortinar como foi feito e tive que recorrer ao seu criador para descobrir!..
Agora, depois de saber a resposta, percebo que não importa qual processo, porque o resultado final é uma obra de arte total, por conjugar num momento três formas de expressão humana que aqui têm um valor idêntico e que sem dúvida se completam!..
April 25th, 2008 at 18:34
Hoje, com tempo e com a sensação de estar presente, dei atenção a este vídeo… às vezes há momentos melhores para as coisas, mas estes vídeo sensibiliza-nos em qualquer momento…
Nele, há espaço para tudo… há espaço para as imagens brilharem, há espaço para a música sorrir, e espaço para as palavras sentirem.
E a música se faz, não apenas com o piano, mas com uma voz que parece caminhar pelas imagens. E tudo se une, e tudo se distingue. E cada momento é um momento diferente, gerando um todo contínuo e belo.
Deixarmo-nos seguir pelo sentimento é a chave para muitos momentos.